Irã rejeita que inspetores da AIEA acessem instalações nucleares bombardeadas
O Irã declarou, nesta terça-feira (23), que não permitirá o acesso de inspetores da AIEA às instalações nucleares bombardeadas por Israel e pelos Estados Unidos no ano passado, ao término da primeira rodada de negociações com Washington para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Na semana passada, Teerã e Washington assinaram um memorando de entendimento para interromper uma guerra que deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou a economia global.
O memorando estabeleceu as bases para as negociações que começaram no domingo na Suíça, com a mediação do Paquistão e do Catar. O objetivo é chegar a um acordo final em 60 dias prorrogáveis, sobre questões como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais contra Teerã.
O Irã confirmou nesta terça-feira que as negociações técnicas foram concluídas e anunciou a criação de quatro grupos de trabalho para tratar dessas questões.
No entanto, refutou as declarações do vice-presidente dos EUA, JD Vance, negando que seu governo tivesse concordado em convidar inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para monitorar as instalações nucleares bombardeadas pelas forças israelenses e americanas durante a guerra de 12 dias em junho de 2025.
"Não tivemos nenhuma reunião com o diretor-geral da AIEA, nem prevemos que a Agência inspecione as instalações nucleares iranianas danificadas pela agressão militar dos EUA e de Israel", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.
No conflito, as instalações de Fordow, Natanz e Isfahan foram bombardeadas. A extensão dos danos permanece desconhecida, mas o presidente americano, Donald Trump, afirmou na época que havia "aniquilado" as capacidades nucleares da República Islâmica.
Trump voltou ao assunto nesta terça-feira, insistindo que o Irã concordou "plena e completamente" em permitir inspeções nucleares "no mais alto nível".
- "Serviços marítimos" -
O principal negociador do Irã alertou que o tráfego pelo estratégico Estreito de Ormuz, por onde passam 20% dos hidrocarbonetos do mundo, nunca mais será o mesmo de antes da guerra.
Irã e Omã anunciaram que fornecerão "serviços marítimos" sob uma administração conjunta da hidrovia.
A possibilidade de os navios terem que pagar um pedágio ganhou força nesta terça-feira, quando os dois países anunciaram que estão estudando os custos associados.
A rodada de negociações no luxuoso resort de Bürgenstock, na Suíça, fez com que os preços do petróleo despencassem.
O Departamento do Tesouro dos EUA indicou que suspendeu as sanções contra o Irã para permitir que o país produza, venda e forneça petróleo e derivados até meados de agosto.
Como parte do acordo, Washington concordou em liberar 12 bilhões de dólares (61,6 bilhões de reais) em ativos iranianos congelados, informou a agência de notícias iraniana Mehr.
- Frente libanesa -
O memorando de entendimento estabelece o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo no Líbano, uma das principais exigências de Teerã.
Agora, representantes do Líbano e de Israel se preparam para uma quinta rodada de negociações em Washington, que começa nesta terça-feira.
As autoridades libanesas pedem a retirada das tropas israelenses do país e que as negociações sejam separadas do acordo entre os Estados Unidos e o Irã.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março pelo Hezbollah, que agiu em defesa do Irã quando este foi atacado por EUA e Israel.
Embora os combates no Líbano tenham diminuído após a declaração de um novo cessar-fogo, soldados israelenses mataram duas pessoas nesta terça-feira que "estavam perto de uma escavadeira" em uma estrada no sul do país, segundo a imprensa estatal.
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M.Vecchiarelli--LDdC