La Domenica Del Corriere - Flávio Bolsonaro desembarca nos Estados Unidos depois de fugir do Brasil

Flávio Bolsonaro desembarca nos Estados Unidos depois de fugir do Brasil
Flávio Bolsonaro desembarca nos Estados Unidos depois de fugir do Brasil / foto: Ricardo Arduengo - AFP

Flávio Bolsonaro desembarca nos Estados Unidos depois de fugir do Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou nesta quarta-feira (28) na Flórida depois de fugir do Brasil via Argentina, poucos dias após a derrota no segundo turno da eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Flávio, de 45 anos, desembarcou em um jato privado no aeroporto de Opa-Locka, perto de Miami, constatou um jornalista da AFP, após uma fuga cinematográfica que provocou estupefação dentro e fora do Brasil.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, fugiu de seu país para a Argentina na noite de terça-feira e partiu de avião rumo ao Equador, onde fez uma breve escala na madrugada de quarta-feira antes de decolar para os Estados Unidos.

O Departamento de Estado informou que o governo dos Estados Unidos concederá visto para ele e sua família, que o acompanhou na fuga.

Flávio Bolsonaro não reconheceu sua derrota eleitoral após o segundo turno de domingo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele era alvo de uma decisão judicial para não deixar o Brasil devido a uma investigação por lavagem de dinheiro.

Seu irmão Eduardo Bolsonaro, que já foi deputado federal, vive nos Estados Unidos e também é investigado no Brasil em vários processos judiciais.

A saída de Flávio do Brasil foi marcada por uma grande confusão. A imprensa americana informou na terça-feira que o político brasileiro já estava no país.

Fontes do governo da Argentina, cujo presidente Javier Milei é aliado da família Bolsonaro, negaram que o senador teria entrado no país.

Mas algumas horas depois, a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio atravessou a fronteira pouco antes da meia-noite "com documentação de viagem válida, sem nenhum impedimento legal".

Flávio Bolsonaro, sua mulher e as duas filhas embarcaram em seguida, no aeroporto de Puerto Iguazú, "em um voo privado, operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino à cidade de Guayaquil, no Equador", afirmou um comunicado publicado no X pela Direção de Migrações.

Na madrugada de quarta-feira, a aeronave pousou em Guayaquil, onde abasteceu e voltou a decolar meia hora depois, segundo repórteres da AFP no local.

O presidente Donald Trump é um aliado próximo da família Bolsonaro. Na segunda-feira, ele denunciou que as eleições no Brasil foram "fraudadas".

- Passaportes cancelados -

Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro disse que a Justiça - por meio de uma ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes - o havia proibido de deixar o país em uma "tentativa de intimidá-lo".

Também descartou qualquer intenção de partir e afirmou que pretendia atuar como líder da oposição.

"Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração", disse em vídeo.

O senador é investigado por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento de um filme sobre seu pai, entre outras coisas.

Uma fonte policial brasileira informou na terça-feira à AFP que os passaportes brasileiros do senador, inclusive os diplomáticos, foram cancelados.

No entanto, ele possui cidadania italiana desde 2023, conforme consta em um documento de 2025 do Parlamento italiano consultado pela AFP.

Lula disse na terça-feira que não tinha "informações precisas" sobre uma fuga de seu adversário eleitoral, mas que isso seria "vergonhoso".

"O Brasil é a segunda pátria dele, a primeira pátria é lamber botas dos Estados Unidos", atacou o presidente reeleito durante a celebração de seu aniversário de 81 anos em Brasília.

As informações sobre a partida de Flávio Bolsonaro causaram perplexidade entre seus aliados.

"Não temos ainda notícia sobre seu paradeiro", disse a jornalistas em Brasília seu chefe de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).

"Nós tentamos contatar o Flávio (...) e recebi por parte dele uma mensagem de texto onde ele dizia que iria dar um tempo hoje e que depois conversaria conosco. E pronto. Foi a única comunicação que eu tive com ele", acrescentou.

- Seguindo os passos da família -

Eduardo Bolsonaro já atuava há vários meses como interlocutor com o governo Trump. Os Estados Unidos receberam seu pai, Jair, por três meses, quando ele viajou ao país antes da posse de Lula em 2023.

Eduardo disse, na semana passada em um podcast americano, que era favorável a que seu irmão deixasse o Brasil caso não vencesse as eleições, por causa das investigações judiciais contra ele.

Após perder as eleições, Flávio Bolsonaro afirmou que pediria a anulação do segundo turno, argumentando que a decisão judicial de prorrogar a votação em duas horas beneficiou Lula.

O presidente Lula venceu o segundo turno com quase 52% dos votos, contra 48% do conservador, uma diferença de mais de 4 milhões de votos.

Flávio era o favorito para vencer o segundo turno, após sair na frente no primeiro. Ele havia prometido que, caso vencesse, sua primeira medida de governo seria libertar o pai, Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar aplicar um golpe de Estado contra Lula após perder as eleições de 2022.

L.M.Domiano--LDdC