La Domenica Del Corriere - Candidata à chefia da ONU enfrenta críticas por guerra no Sudão

Candidata à chefia da ONU enfrenta críticas por guerra no Sudão
Candidata à chefia da ONU enfrenta críticas por guerra no Sudão / foto: Eric Lee - POOL/AFP/Arquivos

Candidata à chefia da ONU enfrenta críticas por guerra no Sudão

Várias ONGs de defesa dos direitos humanos instaram, nesta terça-feira (27), as grandes potências a impedirem que a diplomata dos Emirados Árabes Unidos Lana Nusseibeh assuma o cargo de secretária-geral da ONU, acusando seu país de financiar grupos paramilitares no Sudão.

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Nusseibeh, de 48 anos, entrou na disputa na semana passada, em um momento em que nenhum dos candidatos conseguiu até agora gerar consenso para suceder o português António Guterres, cujo segundo mandato termina no fim do ano.

No Sudão, devastado por uma guerra que já deixou mais de 200 mil mortos e provocou uma das crises humanitárias mais graves do mundo, o governo dos Emirados Árabes é acusado pelo exército sudanês e por observadores internacionais de apoiar o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (FAR).

Abu Dhabi sempre negou categoricamente qualquer interferência no conflito, apesar das provas apresentadas em inúmeros relatórios.

"Atribuir aos Emirados Árabes Unidos a responsabilidade pelo prolongamento deste conflito é um erro", afirmou recentemente Nusseibeh, secretária de Estado do Ministério das Relações Exteriores de seu país e enviada especial à ONU e à União Europeia, em entrevista ao jornal alemão Welt.

Várias ONGs rejeitam este argumento. "Acho que a sua candidatura (...) é totalmente inadequada porque ela nega essa realidade", declarou Ken Roth, da Human Rights Watch (HRW), durante uma coletiva de imprensa virtual com outras três associações.

"Não vejo provas suficientes para afirmar que esta candidata seja independente do Estado de onde procede", avaliou Kate Ferguson, codiretora da ONG britânica Protection Approaches.

"Não devemos ser ingênuos (...): pode tratar-se de uma tentativa deliberada de captura da ONU por regimes autocráticos, com o apoio dos Estados Unidos, para tomar o controle da organização".

Para vencer a disputa, um candidato deve obter nove votos dos 15 membros do Conselho de Segurança e evitar o veto de qualquer um dos seus cinco integrantes permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia).

Quando alcançado um consenso no Conselho, o nome será submetido à Assembleia Geral, que na prática costuma seguir a recomendação.

Nusseibeh participa nesta terça-feira de uma audiência pública na ONU para defender sua candidatura.

F.Aiello--LDdC