Papa critica eutanásia e pede empenho na luta contra agressões sexuais na Igreja
O papa Leão XIV afirmou neste domingo (27) que é "impossível" considerar a eutanásia e o suicídio assistido como algo "normal" e instou os bispos franceses a "perseverar" na prevenção e reparação das agressões sexuais contra menores na Igreja Católica.
Após anos de debate, em julho o Parlamento francês autorizou a eutanásia e o suicídio assistido para pacientes com doenças incuráveis, apesar da oposição da Igreja, que denunciou uma "ruptura antropológica".
"É impossível considerar normal o fato de pôr fim à vida. O que é legal não é necessariamente moral", destacou o papa, que na sexta-feira já havia criticado "a oferta de uma morte programada" diante do presidente francês, Emmanuel Macron.
"Lei humana nenhuma deve nos fazer perder a certeza da sua dignidade", acrescentou aos presentes, que responderam com aplausos.
O Santuário de Nossa Senhora de Lourdes é historicamente um centro de devoção católica, para o qual milhões de fiéis recorrem todos os anos em busca de cura.
"Vocês não são um peso, são o coração pulsante de nossa humanidade e um tesouro precioso para a Igreja", acrescentou o pontífice americano-peruano, que qualificou Lourdes como "cidade dos enfermos e da esperança".
Segundo a Igreja Católica, teriam ocorrido 72 curas milagrosas em Lourdes.
Mais cedo, Leão XIV instou os bispos franceses a "perseverar" na prevenção e reparação das agressões sexuais contra menores dentro da Igreja, poucas horas antes de se reunir com sete vítimas em Lourdes.
Em 2021, um relatório encomendado por bispos e freiras estimou em até 330.000 o número de vítimas menores de idade desde 1950.
"Nos últimos anos, vocês enfrentaram com determinação o doloroso flagelo dos abusos contra menores (...). É necessário perseverar no caminho iniciado, mantendo a máxima vigilância", afirmou perante a Conferência Episcopal Francesa em um encontro a portas fechadas, segundo o Vaticano.
Diante da ocasião, a diocese de Lourdes decidiu cobrir totalmente os mosaicos da fachada de uma de suas basílicas, elaborados por Marko Rupnik, padre esloveno acusado de agressões sexuais, para permitir que as vítimas voltem ao santuário.
Durante a tarde, o sumo pontífice se reunirá com as sete vítimas de agressões sexuais no seio da Igreja na França.
Na segunda-feira, o papa concluirá sua viagem em Metz para fazer um discurso sobre a paz e a União Europeia.
G.Tomaselli--LDdC