Rubio inicia na Colômbia viagem latino-americana para reforçar influência dos EUA
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, chega à Colômbia nesta terça-feira (8), primeira parada de uma viagem pela América Latina, na qual também visitará o Equador e o Peru, países alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O objetivo da viagem é "reforçar a cooperação na luta conjunta contra o narcoterrorismo" e "aprofundar as relações comerciais" com os três parceiros, explicou o Departamento de Estado.
Washington ganhou um novo aliado na região com a recente posse do presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, advogado de 48 anos que venceu a esquerda nas eleições de junho.
De la Espriella, um admirador declarado de Trump e com discurso de linha-dura no combate ao crime, receberá Rubio em uma guarnição militar da cidade caribenha de Barranquilla.
O novo governo colombiano fortalece os laços com seu principal aliado militar após a relação turbulenta entre Trump e seu antecessor, o esquerdista Gustavo Petro.
"Queremos ter uma relação de longo prazo" com a Colômbia, explicou Rubio a jornalistas no aeroporto de Miami, antes de iniciar sua viagem.
Em seu primeiro mês de mandato, De la Espriella lançou um plano para usar bombardeios para enfraquecer os poderosos cartéis de cocaína e encerrou as negociações de paz impulsionadas por Petro.
Seu governo autorizou operações militares conjuntas com os Estados Unidos e em agosto recebeu o chefe do Comando Sul dos EUA para discutir sua estratégia de combate ao tráfico de drogas. Também se juntou ao Escudo das Américas, a coalizão de países liderada por Trump para combater o narcotráfico na região.
- Reconstrução -
Rubio também discutirá em Barranquilla os esforços de reconstrução após o devastador terremoto de 10 de agosto, que matou mais de 330 pessoas na Colômbia, segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott.
O terremoto destruiu escolas, hospitais e milhares de casas em diversas cidades. De la Espriella solicitou assistência dos EUA e a suspensão de tarifas para facilitar as obras de reconstrução.
A reunião "mostra o início da reconstrução de uma aliança estratégica com os Estados Unidos, nosso principal parceiro na região", disse o chanceler da Colômbia, Omar Bula, em um vídeo compartilhado com a imprensa.
Rubio viajará, então, para Quito para se encontrar com o presidente, Daniel Noboa, e para Lima para uma reunião com a presidente Keiko Fujimori.
De origem cubana, Rubio lembrou que desde que assumiu o comando da diplomacia dos Estados Unidos, a América Latina e o Caribe se tornaram uma prioridade para o governo Trump, e assegurou que quer viajar para outros países da região.
"Não podemos ir para todo lado", disse, mas este mini giro diplomático "reforçará nossa presença no hemisfério", assegurou.
- Doutrina "Donroe" -
Desde o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro de 2025, diversos países, incluindo Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador e Honduras, iniciaram ou confirmaram uma transição para governos conservadores.
Washington demonstra sua clara intenção de influenciar a região latino-americana em nome da "doutrina Donroe", uma combinação do primeiro nome de Donald Trump com o sobrenome de James Monroe, o presidente americano que designou a América Latina como esfera de influência dos EUA há mais de dois séculos.
A viagem de Rubio à América Latina ocorre após a captura, em janeiro, do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, e poucos dias depois do anúncio de um acordo com o governo interino da Venezuela, que outorga a Washington o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo do país.
Essas reservas "estavam sob o controle de China, Rússia e Irã", assegurou Rubio. "Portanto, acredito que estarão muito melhor com os Estados Unidos", enfatizou.
Em Quito, Rubio será recebido por Noboa, um dos maiores parceiros de Washington na luta contra o narcotráfico.
Atualmente, Estados Unidos e Equador realizam operações contra embarcações supostamente ligadas às quadrilhas no Pacífico equatoriano.
Em uma semana, pelo menos cinco embarcações foram afundadas nestas ações militares.
S.dEsposito--LDdC