La Domenica Del Corriere - Proprietário de casa cercada por colonos israelenses na Cisjordânia pede ajuda aos Estados Unidos

Proprietário de casa cercada por colonos israelenses na Cisjordânia pede ajuda aos Estados Unidos
Proprietário de casa cercada por colonos israelenses na Cisjordânia pede ajuda aos Estados Unidos / foto: ilia YEFIMOVICH - AFP

Proprietário de casa cercada por colonos israelenses na Cisjordânia pede ajuda aos Estados Unidos

Com a bandeira americana no telhado de sua casa, Louai Abu Ridi faz um apelo ao governo dos Estados Unidos para que ajude a acabar com o cerco à sua residência na Cisjordânia por parte de colonos israelenses, cuja violência é cada vez mais intensa.

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O americano-palestino é o proprietário de uma das três casas que colonos israelenses violentos cercam há mais de uma semana no vilarejo de Qusra, perto de Nablus, no norte da Cisjordânia.

Ele retornou de Ohio, onde mora, depois que os colonos deixaram os moradores bloqueados dentro da casa, cortando por completo o abastecimento de mantimentos. Ridi conseguiu chegar à residência na segunda-feira, acompanhado de jornalistas.

Na terça-feira, Ridi hasteou a bandeira dos Estados Unidos na fachada e chamou a atenção da embaixada americana para o cerco, que provocou uma grande condenação internacional.

"Esta é a minha mensagem para todos os americanos, para que vejam o que está acontecendo aqui, na Cisjordânia, a maneira como os colonos nos cercam e tentam tomar a minha casa", explicou a jornalistas da AFP em sua residência.

Sob pressão americana, o Exército israelense anunciou na semana passada que ordenou a saída dos colonos.

Os soldados desmontaram suas barracas e anunciaram a detenção de um israelense. Mas os colonos retornam, a pé ou de carro.

Na segunda-feira, Ridi enviou à AFP vídeos que mostram alguns colonos passando em frente à casa em quadriciclos, enquanto as forças de segurança israelenses estavam posicionadas do lado de fora.

"Os colonos entram livremente na minha casa, e eles não fazem nada", disse, em referência aos militares. "Eles chegam até a apertar a mão dos colonos. É como se fossem amigos".

- "Atividade terrorista" -

A violência cometida por colonos israelenses aumentou consideravelmente desde o ataque sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023, com incursões quase diárias contra vilarejos e atos de assédio ou intimidação.

O governo de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apoia os colonos radicais, às vésperas das eleições legislativas de outubro.

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, expressou consternação com o cerco em Qusra e afirmou que pediu a intervenção das autoridades - ele, no entanto, já manifestou apoio aos colonos no passado.

Em entrevistas concedidas na noite de terça-feira à televisão israelense, o embaixador assegurou que os Estados Unidos têm o compromisso de defender seus cidadãos.

"Gostaríamos de ver consequências graves para aqueles que se dedicam — e vou utilizar esta expressão — a uma atividade terrorista", declarou ao Canal 13 israelense.

"Não é justo para as famílias palestinas, que são proprietárias de suas casas, que têm direito de criar suas famílias sem medo", acrescentou o ex-pastor evangélico que, antes de se tornar embaixador, havia se recusado a utilizar o termo "palestino".

"Se esta minoria pensa que está servindo à sua causa, comete um erro terrível", completou, em referência aos colonos radicais.

Quase 500 mil israelenses vivem em assentamentos que o direito internacional considera ilegais na Cisjordânia, entre três milhões de palestinos.

Israel ocupa o território desde a Guerra dos Seis Dias, travada em junho de 1967.

T.Labbate--LDdC