Presidente eleito de extrema direita celebra início de 'nova era' na Colômbia
O presidente eleito da Colômbia, o outsider de extrema direita Abelardo de la Espriella, celebrou no domingo (21) o início de uma "nova era" no país após derrotar, no segundo turno mais apertado da história, o candidato da esquerda, que governou o país pela primeira vez nos últimos quatro anos.
O advogado, de 47 anos e sem experiência política, venceu por menos de um ponto percentual o senador governista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, no momento em que o país enfrenta a pior onda de violência da última década.
Com o apoio de Donald Trump, a vitória de Espriella foi recebida com protestos em cidades como Bogotá e Cali, onde manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e estabeleceram barricadas.
Atrás de uma barreira de vidro à prova de balas, o advogado celebrou o início de uma "nova história para a nação".
"Começa uma nova era, uma mudança de ordem, a pátria milagre", disse na cidade caribenha Barranquilla em seu primeiro discurso diante de milhares de simpatizantes, após chegar ao local em um veículo semelhante ao papamóvel.
A apuração preliminar oficial aponta sua vitória com 49,6% dos votos, contra 48,7% de Cepeda.
De la Espriella, que tem cidadania colombiana e americana, derrotou a esquerda que buscava acordos de paz com todos os grupos armados.
"Aqueles que semearam violência, terror, narcotráfico e corrupção durante todos estes anos, o tempo de vocês acabou", declarou o presidente eleito, que governará até 2030 e que se autodenomina "O Tigre".
- Trump -
Cepeda declarou que não aceitará a derrota antes da apuração final, que deve demorar alguns dias, e que pretende contestar 33.000 urnas, processo com o qual espera reverter o resultado.
"Não vamos apoiar este governo", disse à AFP Brandon, um estudante de 19 anos que protestava nas ruas de Bogotá. "Ele não me representa como jovem. Veremos mais manifestações", acrescentou.
De la Espriella afirmou que o presidente dos Estados Unidos manifestou apoio em uma ligação telefônica.
Mais tarde, Trump publicou na rede Truth Social a mensagem "Ganhou, ENORME!" com uma fotografia do presidente eleito. Países com governos de direita próximos a Trump, como Argentina, Chile e Equador, também enviaram felicitações.
O discurso de De la Espriella a favor de Washington, das forças de segurança e dos empresários é similar ao de outros presidentes na região, como o salvadorenho Nayib Bukele e o argentino Javier Milei.
De la Espriella é alvo de críticas por seus frequentes comentários machistas e homofóbicos e por representar como advogado vários paramilitares e narcotraficantes.
Em entrevista à AFP, o presidente eleito disse que buscará o apoio dos Estados Unidos e de Israel para atacar a guerrilha com bombardeios e fumigações de plantações de drogas no país, o maior produtor mundial de cocaína.
Além disso, ele conquistou votos como "inimigo ferrenho" da esquerda diante dos poucos avanços nas negociações com as máfias e em um contexto de relações tensas com Washington.
A lei colombiana não permite a reeleição e Petro escolheu como candidato Cepeda, um defensor de direitos humanos de 63 anos que apostava em fortalecer os programas sociais que beneficiaram os mais pobres e marginalizados em um dos países mais desiguais do mundo.
Uma década após o acordo de paz com as Farc, a campanha foi marcada pela violência de grupos armados com bombas, drones explosivos e o assassinato de um candidato à presidência.
- Contra as máfias -
O presidente eleito é contrário à chamada "paz total", com a qual Petro pretendia enterrar décadas de conflito armado por meio do diálogo com grupos criminosos do narcotráfico e com as guerrilhas.
Especialistas alertam que suas promessas de ofensiva militar podem gerar uma nova espiral de violência.
Com uma saudação militar, De la Espriella exibe seu talento como cantor em entrevistas ou a vida de luxo que levava na Itália.
"Ele se conecta com um eleitorado que já está muito cansado da insegurança e precisa de soluções de choque, mas também encarna um modelo aspiracional do empresário que construiu sua fortuna", diz Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana.
Ele defende o porte de armas, a construção de mega-presídios, a exploração de petróleo com fracking, cortar o Estado em 40% e considera que o "ideal" seria dolarizar a economia.
Também propõe revisar a permanência da Colômbia em organismos internacionais como a ONU e a OEA.
E.Marmano--LDdC