Tempestade deixa milhares de deslocados na Espanha e pode afetar eleição em Portugal
As chuvas excepcionais provocadas pela tempestade Leonardo continuavam castigando a Península Ibérica nesta quinta-feira (5), deixando milhares de deslocados na Espanha e em Portugal, onde o candidato de extrema direita pediu o adiamento do segundo turno das eleições presidenciais de domingo.
"Vou propor hoje ao outro candidato, ao presidente da República e aos diversos poderes municipais, por uma questão de igualdade entre todos os portugueses, que o ato eleitoral seja adiado por uma semana", declarou André Ventura, referindo-se a uma proposta que não pareceu convencer seu adversário socialista, António José Seguro.
Em Portugal, onde as autoridades locais podem decidir adiar o pleito, a Prefeitura de Alcácer do Sal, um dos municípios mais afetados pelas inundações, já decidiu pelo adiamento.
"Não estamos em condições de realizar eleições no domingo", afirmou a prefeita, Clarisse Campos, alegando que há moradores isolados nesta localidade com cerca de 10.000 eleitores.
Os bombeiros seguiam em botes infláveis nesta quinta-feira para retirar os habitantes presos pelo transbordamento do rio Sado, constataram jornalistas da AFP.
A casa "está cheia de água, está tudo estragado. A minha máquina de lavar, a geladeira, os móveis, tudo. Há água praticamente até metade da parede", declarou Deolinda Guerra, uma aposentada de 78 anos retirada pelos serviços de emergência.
- Alerta vermelho -
No centro do país, na região de Santarém, a Defesa Civil elevou o risco de inundações devido à subida do rio Tejo, que “passou ao nível vermelho, seu nível máximo”. Autoridades municipais determinaram a “evacuação obrigatória” das zonas próximas no prazo de sete horas.
“Desde 1997 não vivíamos uma situação assim na bacia do Tejo”, destacou em coletiva de imprensa o comandante nacional da Defesa Civil, Mário Silvestre.
Portugal, que na semana passada foi atingido pela tempestade Kristin, deixando cinco mortos, registrou seu segundo mês de janeiro mais chuvoso desde o ano 2000, segundo a agência meteorológica nacional.
O balanço da tempestade Leonardo é, até o momento, de um morto em Portugal e uma mulher desaparecida na Andaluzia, no sul da Espanha, depois que ela se atirou em um rio para tentar salvar seu cão.
A Península Ibérica está na linha da frente das mudanças climáticas e há anos registra ondas de calor cada vez mais longas, que começam antes mesmo do verão, e episódios de chuvas intensas cada vez mais frequentes.
A tempestade Leonardo é a sexta deste tipo desde o início de 2026, há apenas um mês, segundo a agência estatal de meteorologia espanhola, Aemet.
- "Água por todos os lados" -
Na Espanha, na região serrana de Grazalema, "praticamente em 16 horas (...) choveu o mesmo que chove em toda a Comunidade de Madri em um ano", ressaltou o presidente regional da Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla, ressaltando que se tratava de precipitações "nunca antes vistas".
"Esta garagem estava completamente cheia de água, estava saindo água por todos os lados, há buracos no chão que foram feitos pela própria água, (...) Nunca imaginaríamos que isto fosse acontecer aqui", afirmou à AFP Lara Olivar, uma atriz de 25 anos, em Grazalema.
- "Dias complicados" -
Cerca de 170 km a leste, em Dúdar, um rio transbordou completamente, inundando os arredores com água barrenta e obrigando os moradores a deixar suas casas, constatou um jornalista da AFP.
"Máxima precaução", pediu o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, na tarde desta quinta-feira, no X.
Milhares de pessoas foram retiradas de suas residências na Espanha, sobretudo na Andaluzia.
Zonas do centro e noroeste da Espanha também estão em alerta laranja (o segundo nível mais alto), principalmente por ventos fortes.
O tráfego ferroviário e rodoviário continuam amplamente afetados nesta quinta-feira.
A agência meteorológica espanhola indicou no X que "na sexta-feira as chuvas serão mais intermitentes, mas no sábado voltarão a se intensificar em zonas onde já choveu muito nos dias anteriores".
V.Tedeschi--LDdC