Ativista pró-democracia de Hong Kong Joshua Wong se declara culpado de conluio com potências estrangeiras
Joshua Wong, uma das principais figuras do movimento pró-democracia de Hong Kong, se declarou culpado nesta quarta-feira (2) de conluio com potências estrangeiras durante o julgamento por atentar contra a segurança nacional.
O ex-líder estudantil de 29 anos, que já cumpre uma pena de cinco anos de prisão por subversão, agora enfrenta o risco de ser condenado à prisão perpétua devido à nova acusação, apresentada no ano passado.
Ele é acusado de ter solicitado a países, pessoas ou instituições estrangeiras que "impusessem sanções ou um bloqueio, ou executassem outras atividades hostis" contra a China e sua cidade semiautônoma, depois que Pequim impôs uma lei de segurança nacional no centro financeiro.
A lei de 2020 provocou o desaparecimento quase total da sociedade civil e da oposição política no ex-território britânico, que antes eram muito dinâmicas. As autoridades afirmam que a norma era necessária para acabar com a agitação política.
Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, as novas acusações têm como objetivo manter Wong, que deveria sair em breve da prisão, atrás das grades de forma permanente.
O jovem permaneceu sentado no banco dos réus enquanto as acusações eram lidas, antes de confirmar sua declaração de culpa. Ele sorriu e acenou com a cabeça depois que um simpatizante gritou: "Força!".
Wong ganhou notoriedade durante os protestos conhecidos como Movimento dos Guarda-Chuvas, que ocorreram em Hong Kong em 2014.
Ele também participou das grandes manifestações pró-democracia, em alguns casos violentas, de 2019, que levaram Pequim a impor a lei de segurança nacional em Hong Kong no ano seguinte.
Ao lado de Nathan Law e da ativista Agnes Chow, Wong foi um dos líderes do partido Demosisto, que defendia a autodeterminação de Hong Kong e que se dissolveu após a aprovação da Lei de Segurança Nacional.
V.Merendino--LDdC