Cepal pede que América Latina e Caribe transformem recursos naturais em poder de negociação
Os países da América Latina e do Caribe devem aproveitar seus recursos naturais como instrumento de negociação diante das "rupturas" da ordem mundial, como a crescente rivalidade entre Estados Unidos e China, recomendou nesta terça-feira (4) a Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Em um relatório apresentado em sua sede, em Santiago, no Chile, o organismo também defendeu uma maior integração entre esses países para enfrentar mudanças como a intensa polarização, a erosão da cooperação multilateral e a desconfiança das grandes potências em relação à interdependência econômica.
O documento afirma que a região precisa utilizar seus abundantes recursos naturais (lítio, cobre, grafite e terras raras) como instrumento estratégico para negociar posições mais favoráveis em um mundo marcado por essas "rupturas".
"O mundo mudou, e os países da América Latina e do Caribe têm muitos ativos de que o mundo precisa", resumiu nesta terça-feira a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, copresidente da comissão da Cepal encarregada de elaborar o relatório.
A instituição recomendou evitar alinhamentos rígidos diante da rivalidade entre Washington e Pequim.
Também ressaltou a necessidade de fortalecer a integração econômica da região, já que apenas 14% das exportações dos países latino-americanos e caribenhos têm como destino outros Estados da própria região.
"Para tudo isso de que estamos falando, é necessária vontade de integração, e não tenho certeza de que ela exista hoje na região", acrescentou Bachelet, que também é candidata ao cargo de secretária-geral da ONU.
Na América Latina e no Caribe vivem cerca de 660 milhões de pessoas. Segundo estimativas da ONU, a economia da região crescerá 2,2% neste ano.
F.Aiello--LDdC