Trump envia delegação ao Paquistão para diálogo com Irã, que segue sem confirmar presença
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (19) que enviará negociadores ao Paquistão para reativar negociações com o Irã, dias antes de expirar a trégua de duas semanas, embora Teerã ainda não tenha anunciado se participará.
O vice-presidente americano, JD Vance, que já havia chefiado a delegação em Islamabad em 11 de abril para um diálogo sem precedentes, mas fracassado, voltará a estar acompanhado pelos dois emissários habituais de Washington: Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner.
Ao anunciar a chegada ao Paquistão na segunda-feira à tarde, Trump afirmou em sua plataforma Truth Social que estava oferecendo ao Irã um “acordo razoável” e advertiu que, em caso de recusa, “os Estados Unidos destruirão todas as centrais elétricas e todas as pontes no Irã”.
“Se não aceitarem o ACORDO, será uma honra para mim fazer o que tem de ser feito, o que outros presidentes deveriam ter feito com o Irã nos últimos 47 anos”, disse. “CHEGA DE SER BONZINHO!”
Com estradas fechadas, arame farpado e barricadas, a capital paquistanesa havia visivelmente reforçado a segurança neste domingo. Jornalistas da AFP viram guardas armados e postos de controle, em particular nas proximidades do hotel Serena, onde foi realizada a última rodada de negociações.
– “Não há perspectivas claras” –
As autoridades no Irã ainda não decidiram se vão participar, informaram meios de comunicação locais, que apontam a suspensão do bloqueio naval americano como condição prévia. “Não há perspectivas claras de que as negociações sejam frutíferas”, indicou a agência oficial Irna.
Um acordo está distante, advertiu o poderoso presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe da equipe negociadora, citando “numerosas divergências”.
Em Teerã, sob uma chuva persistente, os habitantes enfrentavam enormes engarrafamentos, sinal de um certo retorno à normalidade. Mas a preocupação persiste e a incerteza domina o cotidiano.
A desconfiança em relação a Washington é forte no Irã, alvo de bombardeios israelense-americanos em junho de 2025 e depois de 28 de fevereiro a 8 de abril.
Trump justificou a ofensiva alegando que o Irã estava próximo de fabricar uma bomba atômica. Teerã desmente e afirma que seu programa nuclear tem fins civis.
A guerra incendiou o Oriente Médio, causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, e perturbou gravemente a economia mundial.
– “Artimanha diplomática”? –
Embora os bombardeios tenham cessado desde o início da trégua, o bloqueio persiste no Estreito de Ormuz, crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
Teerã declarou no sábado que retomava “o controle estrito” da via marítima, depois de ter anunciado na sexta-feira sua reabertura, o que provocou euforia nos mercados mundiais.
Pouco depois, pelo menos três navios mercantes que tentavam atravessar o estreito foram alvo de disparos.
Esses ataques são “uma violação total do cessar-fogo”, protestou Trump, enquanto o Ministério das Relações Exteriores iraniano culpou por sua vez Washington pelo bloqueio de seus portos, que equivaleria a “um crime de guerra e a um crime contra a humanidade”.
O tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu a zero nestedomingo, segundo o site Marine Traffic.
Vali Nasr, professor de relações internacionais na universidade americana Johns Hopkins, apontou que o Irã acreditava, ao reabrir o estreito na sexta-feira, que “os Estados Unidos responderiam levantando o bloqueio”.
Mas a manutenção do bloqueio “apenas alimentou a suspeita do Irã” de que as negociações de Islamabad “não passam de uma artimanha diplomática antes de outro ataque militar”, acrescentou no X.
Ainda mais porque as posições continuam muito distantes, em particular no capítulo nuclear, coração do conflito.
Segundo Trump, o Irã aceitou entregar seu urânio altamente enriquecido, algo que Teerã negou.
“Como é possível que o presidente dos Estados Unidos afirme que o Irã não deve exercer seus direitos nucleares sem explicar por quê?”, declarou neste domingo o presidente Masoud Pezeshkian, citado pela agência Isna.
– “Toda a sua força” –
No Líbano, a outra frente da guerra, a situação continua muito instável apesar de um cessar-fogo de 10 dias que entrou em vigor na sexta-feira entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, e que ambas as partes se acusam mutuamente de violar.
O Exército israelense recebeu instruções para utilizar “toda a sua força” se as tropas enfrentarem “qualquer tipo de ameaça”, segundo o ministro da Defesa, Israel Katz.
Katz afirmou em várias ocasiões que Israel derrubaria casas ao longo da fronteira a fim de estabelecer uma “zona de segurança” e, de fato, as destruições continuam em localidades fronteiriças, segundo a Agência Nacional de Informação libanesa (ANI).
“Não sabemos o que vai acontecer, não sei se devo consertar meu negócio ou se os bombardeios vão recomeçar”, comentou Ali Assi, em sua loja de roupas em Nabatieh.
No Líbano, a guerra já deixou cerca de 2.300 mortos e um milhão de deslocados.
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A.Maggiacomo--LDdC